O encontro foi aberto pelo empreendedor social Rodrigo Baggio, fundador e diretor-executivo do CDI
Quase metade das horas navegadas na internet, no Brasil, acontece em lan houses. Logo, essas casas de inclusão digital de milhões de brasileiros precisam adotar soluções eficazes para seus desafios. Esta foi a proposta do 1° Encontro do CDI LAN, uma iniciativa do CDI – Comitê para Democratização da Informática. O evento aconteceu no último dia 05, no Centro Cultural da Light, no Rio de Janeiro. Na ocasião, quase 60 donos de lan houses da cidade tiveram a oportunidade de conversar sobre os seus desafios e propor uma agenda de ações para o setor.
Muitos participantes do encontro já estavam afiliados ao CDI LAN, mas pelo menos 10 conhecerem melhor os objetivos da iniciativa e se afiliaram na hora. O projeto CDI LAN, lançado no dia 25 de junho, no Rio de Janeiro, nasceu no CDI, ONG que há 14 anos utiliza a tecnologia para levar cidadania a comunidades carentes. O projeto tem como embaixadora a atriz e apresentadora Regina Casé.
O encontro foi aberto pelo empreendedor social Rodrigo Baggio, fundador e diretor-executivo do CDI, que destaca as lan houses como locais estratégicos no combate à exclusão digital. “As lan houses podem oferecer cursos profissionalizantes, serviços gráficos, reforço escolar, pacotes turísticos, venda de ingressos e livros, orientação para acesso a sites de empregos e de governo, elaboração de currículos, jogos educativos, auxílio a pesquisas etc. Há um mundo de coisas que elas podem fazer, disponibilizando uma equipe capacitada e atenciosa para todos os tipos de públicos, sejam crianças, idosos, portadores de deficiência etc.” Elas não precisam deixar de ser locais informais, onde os jovens, principalmente, gostam de estar, mas, ao mesmo tempo, devem participar mais ativamente da comunidade onde se situam e da sociedade em geral, desenvolvendo um papel de utilidade pública. “Por que as lan houses não divulgam campanhas sociais, ambientais e muitas outras? Por que não organizam campeonatos virtuais estimulando a interatividade saudável? Por que não investem no conhecimento e autoestima do usuário?”, questiona.
Mário Brandão, coordenador do CDI LAN e fundador da Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (ABCID), ressaltou que as lan houses precisam diversificar o seu negócio, investindo em novos produtos no campo da educação, da cidadania e do empreendedorismo. Um representante do Sebrae, apoiador do encontro, falou ao público e colocou-se à disposição para ajudar as lan houses, sobretudo no que se refere à capacitação de donos e funcionários em administração de negócios.
O encontro foi feito na forma de workshop, dividindo os participantes em grupos para discussões. Eles conversaram e listaram os seus principais desafios. “Pela lista percebemos que falta gestão e orientação de modo geral, mas falta também o apoio do poder público, não só em termos de recursos, mas da criação de uma lei federal pertinente à realidade das lan houses. Não adianta impor regras leoninas, porque isso levará ao fechamento de muitas casas e também dará brechas para ações de transgressão de ambos os lados”, defende Baggio. A lista possui 20 itens, mas cinco deles foram os mais destacados (ver box abaixo). As reuniões do CDI LAN vão prosseguir, junto com a troca de experiências, consultas e busca por soluções.
Baggio afirma que o CDI vai usar toda a sua experiência de 14 anos em inclusão digital para populações de baixa renda em benefício das lan houses. “Em primeiro lugar, vamos capacitar as equipes das lan houses para atendimento ao público; sugerir uma serie de serviços e apoiar a implantação deles; orientar, com a ajuda do Sebrae, em caso de processos, sobretudo o da legalização do negócio; lutar, junto com elas, pelo apoio dos governos, que hoje exaltam em seus discursos a importância das lan houses. Porém, o essencial no momento é garantirmos a maior adesão possível ao CDI LAN, pois a afiliação criará conscientização e coesão”.
Segundo Baggio, o evento foi um sucesso, porque reuniu um número significativo de donos de lan houses, dos mais diversos lugares do Estado do Rio de Janeiro, e mostrou que o CDI LAN é uma iniciativa realmente estratégica para dotar essas casas de um processo de gestão eficiente e de mais serviços, reforçando sua sustentabilidade como negócio social. “Outro aspecto importante foi o reforço de laços, a união de forças em torno de objetivos comuns, para que as lan houses consigam resultados no campo econômico, político e social e melhorem a sua imagem”.
CDI LAN
O CDI oferece cursos de informática, aliados a conteúdos de cidadania e empreendedorismo, em 753 CDIs Comunidade, localizados no Brasil e em outros nove países da América Latina. “Nesses espaços também são oferecidos serviços, às vezes tocados por nossos próprios educadores e ex-alunos. Então, esses cursos e alguns serviços, como o recolhimento de computadores usados, por exemplo, podem estar dentro de uma lan house. Assim, elas se tornarão verdadeiros locais de inclusão digital e social, estimulando oportunidades profissionais, formação de cooperativas, e novos negócios, além de uma convivência sadia entre os seus frequentadores. Com criatividade, é possível pensar em inúmeras possibilidades”, afirma Baggio.
Existem hoje quase 100 mil lan houses no Brasil, muitas delas em comunidades de baixa renda. Neste locais, 48% dos usuários brasileiros se conectam ao mundo virtual, segundo o Comitê Gestor da Internet (CGI). As lan houses são hoje o caminho mais curto para ampliar o acesso à tecnologia. O projeto CDI Lan prevê um código de conduta para as casas que se afiliarem e também uma assessoria no campo da gestão. O objetivo é romper com os estereótipos e preconceitos que ainda cercam as lan houses e fazê-las cumprir um papel relevante nas comunidades onde atuam.
Pontos apontados no 1° Encontro CDI LAN
1 - Incentivo à legalização das lans, que são muito discriminadas em função disso e não conseguem sobrevida longa;
2 - Parcerias para obtenção de softwares proprietários (Microsoft etc.);
3 - Realização de materiais de divulgação do CDI LAN, com fiscalização da conduta das lan houses por parte do CDI LAN;
4 - Identificação dos órgãos fiscalizadores que possam alimentar as lan houses de informações corretas;
5 - Criação de uma tabela de cobrança de serviços para os CDIs LAN, com fixação de valor mínimo;
6 - Elaboração de um manual de orientações para as lan houses aprenderem as melhores formas de contato com órgãos competentes do governo, garantindo-lhes um bom funcionamento;
7 - Construção de um projeto de lei eficiente e adequado às necessidades das lan houses, com o objetivo de garantir uma fiscalização eficaz;
8 - Combate à dificuldade de conexão à Internet de lan houses, em determinados locais e situações
9 - Campanhas contra a concorrência desleal;
10 - Representação sindical das lan houses;
11 - Melhora da imagem pública das lans houses;
12 - Incentivo do Estado para o funcionamento das lan houses;
13 - Criação de linhas de crédito específicas para as lan houses;
14 - Projetos de recolhimento de lixo eletrônico por parte das lan houses;
15 - Diversificação de produtos oferecidos pelas lan houses;
16 - Capacitação de donos e funcionários em gestão e manutenção técnica da lan;
17 - Divulgação dos afiliados ao CDI LAN no site do CDI;
18 - Mais flexibilidade para que jovens menores de 18 anos possam frequentar as CDIs LAN;
19 - Mais oferta de jogos educativos para crianças e adolescentes;
20 - Coibição do abuso de poder por parte dos órgãos fiscalizadores;
21 - Parcerias com empresas e o poder público para alavancar o negócio.
Fonte: http://www.odisseu.com.br/ticeducacao/newsletter/78_14set2009/index.html#materia4
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