

Fonte: O Globo
16.07.09
Por Taiana Ferraz
No fundo de uma barbearia, um computador. No sulfite impresso, o valor: R$ 2,00 a hora. No ponto mais alto de um pequeno povoado do Maranhão*, um laptop e um aparelho 3G representam o único ponto de internet da região. Ali, como em qualquer lugar do Brasil, os espaços mais diversos têm sido transformados em lan houses. Segundo pesquisa do DataFolha do final de 2008, cerca de 48% do acesso à internet no país acontece dentro delas ou em outros locais públicos.
Além do mecanismo de inclusão digital que naturalmente representam, agora as lan houses são foco de duas iniciativas que buscam explorar outros potenciais desses espaços. Cada uma delas foi pensanda em uma cidade, cada uma com seu ponto de vista, mas com pontos comuns e outros complementares. Ambos os projetos concordam que, hoje, a inclusão digital no Brasil passa pela lan house, com amplo potencial em áreas como a educação, a cultura e a profissionalização.
Usuário em foco
O primeiro projeto se chama Conexão Cultura e sua atuação é direcionada ao usuário. Seu objetivo é oferecer uma solução que leva conteúdo de relevância e qualidade por meio de uma barra de comteúdos instalada no Firefox ou no Internet Explorer.
Novidades sobre Conexão Cultura
Um dos diferenciais do Conexão Cultura é o fato de ele ser desenvolvido em código aberto, o que permitirá que outros desenvolvedores criem aplicativos que rodem dentro dele e que possam ser compatilhados com outros usuários. Para a coordenadora de conteúdo do projeto, Daniela Silva, "isso significa que o que hoje é só um leitor de conteúdo que a gente publica, pode virar uma plataforma de publicação de conteúdo do usuário". Segundo ela, que é quem faz a análise do que está na internet e vai para o Conexão, o aplicativo trará conteúdos como notícias e vídeos dos parceiros institucionais do projeto, como o Itaú Cultutal.
"Há muito conteúdo legal na internet, só que esse conteúdo não chega ao usuário da lan house. Uma das razões pelas quais isso acontece é a maneira como a internet está estruturada e opera hoje: por mecanismo de busca", afirma, pois "o usuário não pode adivinhar que tem que buscar por esse tipo de informação, que não faz parte do seu cotidiano. O Conexão Cultura é uma maneira de mostrar as coisas legais para ele". E essas coisas, o usuário só vê se ele quiser, pois a barra também pode ser omitida.
A concepção e a gestão do projeto são da Fundação Padre Anchieta. O desenvolvimento do conteúdo acontece com a coordenação de Daniela Silva, pela empresa Nunklaki, na Casa de Cultura Digital, compartilhada por diversas outras empresas, ONGs e indivíduos que pensam e trabalham com novas formas de usar a tecnologia digital.
A barra do Conexão Digital já existe, mas está em fase de testes e, por isso, ainda não está instalada em nenhum lugar. De acordo com Daniela Silva, uma parceria está sendo fechada com o Acessa São Paulo, programa de inclusão digital do Estado de São Paulo, para a instalação da barra. O projeto pretende se expandir para outros centros públicos de acesso do país e chegar às lan houses. "É nesse espaço de aprendizagem informal que as crianças estão indo para adquirir seus conhecimentos, para adquirir cultura, para produzir e trocar. Todo o processo bacana de internet, de colaboração e geração de oportunidades que existe nisso não pode ficar restrito a quem tem internet em casa", diz.
Jogo do ganha-ganha
"Na verdade, o Conexão Digital já é importante pelo simples fato de que ele pode interligar as lan houses do Brasil em torno de alguma coisa que, neste caso, é um projeto que tem um escopo de cultura, de educação, de serviço público e de inclusão digital", afirma Daniela Silva.
Contudo, os membros do projeto ainda buscam maneiras de levá-lo às lans. Ela sugere que entre as vantagens que poderiam ser oferecidas para os donos de lan houses estariam os fatos de eles estarem ligados a uma rede de pessoas que fazem parte desse mesmo projeto e ao valor que a marca da Fundação Padre Anchieta dá, além de oferecer um conteúdo diferenciado para as pessoas que usam a lan house.
Outro plano do Conexão Cultura é um "esquema de recompensa", em que o usuário é recompensado: quanto mais acessa esse conteúdo, mais pontos ele junta, os quais ele pode trocar por livros, CDs, ingresso para o cinema etc.
"Assim, incentivamos o acesso e fazemos essa transferência de valor das instituições para essas pessoas. No fim, todo mundo sai ganhando: as instituições ganham público, audiência, relevância, e as pessoas ganham mais cultura e oportunidade", conclui Daniela Silva.
Foco nos donos de lan houses
O outro projeto chama-se CDI Lan e tem como alvo os donos de lan houses de todo o país. Seu objetivo é qualificá-los para expandir a experiência de navegação de tantos usuários. Dessa forma, esses profissionais podem servir como agente facilitadores e não só como as pessoas que oferecem máquinas com internet.
Novidades sobre o CDI Lan
"Falar de lan house é assim: me perguntam o que uma pessoa pode fazer em uma lan house. Então eu contrapergunto: o que uma pessoa pode fazer na internet? Só que a experiência de navegação que as lan houses oferecem para o usuário é pobre: cada um senta em seu computador e eventualmente o dono da lan house ensina a abrir uma conta no Orkut e no MSN. Mas a internet é muito mais do que isso. Na internet, você pode estudar, fazer compras, tirar certidão, se preparar para concurso, fazer curso profissionalizante e até pós-graduação", afirma Mário Brandão, coordenador do CDI Lan e fundador da Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (ABCID).
O CDI Lan começou a trabalhar oficialmente no último dia 25 de junho no Rio de Janeiro. Foi idealizado pelo CDI (Comitê para Democratização da Informática), apoiado pela ABCID e tem como embaixadora a atriz e apresentadora Regina Casé. O projeto pretende reunir os donos de lan houses de todo o país sob um código de conduta em que eles assumem compromissos como facilitar o acesso de pessoas com deficiência, divulgar campanhas sociais e zelar por questoes ambientais. Além disso, outros proprietários de lan houses, membros da ABCID, que passaram por esta mesma experiência, estão desenvolvendo videoaulas para capacitar os colegas em relação ao empreendedorismo e em relação ao que é o negócio deles. Segundo Mário Brandão, o CDI Lan está firmando parcerias com universidades e pretende, ainda, promover encontros entre donos de lan houses e potenciais parceiros.
O coordenador conta, ainda, que em cinco dias já estavam afiliadas 125 lans e que a expectativa é de que sejam 500 até o final de julho. Outro ponto importante do projeto é a ausência de custo para o dono de lan house. Para tanto, serão estabelecidas parcerias com empresas que possam ter interesse em investir no ramo, como por exemplo, uma empresa que queira anunciar no papel de parede dessas lans. Neste caso, o empresário pagaria ao dono da lan pela publicidade e uma pequena porcentagem serviria para pagar os profissionais reponsáveis pelo acompanhamento e estruturação desses processos. A orientação do CDI Lan será no sentido de promover esses acordos comerciais com os estabelecimentos mais próximos das lan houses, como a padaria, o supermercado ou a farmácia da esquina. ¨É uma maneira criativa de ter um desenvolvimento com teu entorno¨, diz Mário Brandão.
Segurança e boa conduta
O CDI Lan também se preocupa em desmontar a imagem negativa que as lans têm perante a sociedade e perante os educadores. Mário Brandão cita como exemplo a nossa legislação, que, segundo ele, "sempre serviu para criar entraves para o ramo, visto como casa de jogo, sem nenhuma perspectiva de contribuição social".
Além disso, existe a percepção de que usar lan houses é inseguro, o que ele rebate: "Para o dono da lan, máquina parada é prejuizo e, se ele não tiver uma estrutura de segurança com anti virus, antifish, antikeylocker, seus computadores param a cada dez minutos e a internet fica lenta. O cara que não tem essses cuidados, o computador dele vai parar e quebrar tanto que ele vai fechar em dois meses. Então, se o cara tem mais de seis meses, pode ter certeza de que ele tem proteção."
Mário Brandão conta que uma das maneiras de mudar essa imagem é simplesmente comunicar ao cliente que o seu espaço tem cuidado com a segurança dele, com menor de idade, com conteúdo impróprio etc. Assim, ele passa uma nova imagem, mais profissional, mais responsável, e consegue aumentar seu público e, consequentemente, sua receita.
Veja abaixo vídeo sobre o CDI Lan
Veja vídeo da Central da Periferia, produzido pela TV Globo, sobre a expansão das lan houses
* A repórter Taiana Ferraz finalizou o texto na lan house descrita durante uma viagem que fez ao Maranhão no começo de julho.
Fonte: Instituto Claro - http://www.institutoclaro.org.br/observatorio/noticias/detalhe/projetos-exploram-potencial-das-lan-houses-como-espacos-de-cultura-aprendizado-e-inclus-o
Junia Oliveira - Estado de Minas
Aos 62 anos, Maurina de Abreu quer ter mais contato com a rede
As mãos controlam o mouse enquanto os olhos atentos se fixam na tela em busca das ferramentas básicas do computador. Programas e acessórios são descobertos com entusiasmo pela aposentada Maurina de Abreu Rezende, de 65 anos. A moradora do Bairro Planalto, na Região Norte de Belo Horizonte, saiu de casa, na manhã de sábado, para um importante compromisso, na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul da capital: aprender a lidar com o mundo digital para um propósito bem maior. “Quero mexer na internet para fumar menos. Já fiz de tudo, mas não consigo parar. Pensando mais, vou rejuvenescer em vez de envelhecer”, disse. Assim como Maurina, várias pessoas de BH e do interior receberam as bênçãos do mundo digital e foram “batizadas” em plena praça pública.
O evento ocorreu durante todo o dia, numa tenda armada em frente ao Palácio dos Despachos, uma estrutura equipada com 50 computadores e 100 monitores treinados para ajudar os interessados em dar os primeiros passos no campo da informática. O “batismo digital” é uma iniciativa inédita em Minas, resultado da parceria entre Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), Ministério Público e lan houses. A mobilização de sábado envolveu a participação de 58 Centros Vocacionais Tecnológicos, 457 Telecentros e cerca de 50 lan houses.
Foram oferecidas duas modalidades. A versão 1.0 deu noções básicas do computador para navegantes de primeira viagem, que nunca tiveram contato com a internet. A 2.0 foi destinada àqueles que já conhecem a web, navegam com facilidade, mas não têm tanta intimidade com as suas ferramentas e potencialidades. O público teve acesso ainda a uma série de oficinas, que abordaram temas como internet segura, programas de inclusão digital do governo estadual e o uso da web para a promoção de negócios e inovação.
Segundo Marinella Impelizieri, diretora de Desenvolvimento e Ensino da Subsecretaria de Inovação e Inclusão Digital, ligada à Sectes, a proposta é tornar o projeto itinerante e ampliar as ações. “Inicialmente, o foco era inserir as pessoas no mundo digital. Hoje, queremos ir além dessa ‘alfabetização’ e promover o batismo 2.0, que é a apresentação de ferramentas para trabalhar a inovação e a tecnologia”, afirmou.
Para o presidente da Associação das Lan Houses de Minas Gerais (Almig), André Rubens Simões, o evento é também uma oportunidade de ressaltar a imagem positiva das lojas do ramo: “Hoje, 50% do acesso à internet no Brasil é feito nas lan houses. Em todo segmento há aqueles que não praticam o bem e, aqui, temos a oportunidade de explicar como filtrar isso”. Segundo ele, BH tem 560 lan houses associadas, mas a estimativa é de que haja 93 mil em todo o Brasil, das quais 10 mil em Minas. “É um lugar de uso rápido, fácil e com a assessoria do dono, que pode ajudar quem está usando o serviço”, relatou.
E foi essa a dica que o estudante Naan Santos Andrade, de 15 anos, deu ao seu aluno Francisco Rezende Filho, de 62. O técnico em eletrônica, que não tem tempo de fazer um curso longo por causa do trabalho, está em busca de algo prático e eficaz: “Conheço tudo de equipamentos de áudio e vídeo, mas sou nota zero em matéria de computador”. O garoto, monitor voluntário, ajudou Francisco a entender um pouco mais sobre os mistérios da rede mundial. “Como ele está mais interessado em pesquisar na internet, acho que a lan house é um lugar bacana para aprender, porque tem muitas máquinas e instrutores para explicar”, disse Naan.
Durante o batismo, outro aspecto estava evidente: não importava a idade para aprender nem para ensinar. O universitário Bruno Augusto Teixeira, de 19, aproveitou o sábado longe da faculdade para, durante alguns minutos, ser o responsável pelo primeiro contato de muitas pessoas com a era digital. “É uma forma de passar os meus conhecimentos a quem não tem e isso é muito legal”, destacou. A estudante Cristiane Bruna da Costa, de 17, também gostou da experiência e, com paciência, ensinava Iago da Costa, de 9 anos, que não consegue imaginar a vida sem o computador, a navegar por um site de buscas e a usar o e-mail. “Gostei muito do curso que fiz no Comitê de Democratização da Informática (CDI) e gostaria de passar para a frente o que me foi ensinado”, ressaltou Cristiane.
Inclusão digital terá parceria do Governo, MP e lan houses
Elaine Pereira - Portal Uai
Uma aliança inédita vai para acelerar a inclusão digital, gerar empregabilidade e fomentar o empreendedorismo em Minas no próximo sábado. O Governo de Minas, a promotoria pública e as lan houses vão promover o Batismo Digital, ação onde os mineiros poderão ingressar ou entender melhor o mundo da informação digital.
Uma tenda na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, vai disponibilizar 50 computadores e 100 agentes treinados para os interessados. Cerca de 200 lan houses na capital e 360 no interior já se comprometeram a oferecer a sua estrutura para realizar o batismo gratuitamente, no dia do evento.
Oficinas gratuitas
A agenda do evento, inteiramente gratuita, traz uma série de oficinas realizadas simultaneamente ao batismo. Os temas abordados serão: Internet Segura; Programas de Inclusão Digital do Governo de Minas; Utilização da Web 2.0 para a promoção de Negócios e Inovação; além do papel das Lan houses na inclusão social.
A iniciativa inédita é resultado de uma aliança entre a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), o Ministério Público e as lan houses. Estarão envolvidos 58 Centros Vocacionais Tecnológicos, 457 Telecentros e cerca de 560 lan houses da capital e interior de Minas Gerais.
Inclusão em dois níveis
Destinado a escolas municipais, público da terceira idade, pais de família, jovens e demais interessados, o batismo terá duas modalidades: 1.0, oferecendo noções básicas de uso do PC para navegantes de primeira viagem, que nunca tiveram contato com a internet; e 2.0 para aqueles que já conhecem a Web, navegam com facilidade, mas não têm tanta intimidade com as suas ferramentas e potencialidades.
Os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro já realizam o evento desde 2005, por meio de uma parceria entre Comitê para Democratização da Informática (CDI) e a Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (ABCID), dentro da programação do Mês da Inclusão Digital, em março.
Navegação Segura
O Batismo Digital é uma oportunidade de aproximar as pessoas do ciberespaço, fazendo com que saibam aproveitar as ferramentas colocadas à disposição de todos, por meio da Internet, e, sobretudo, aprendendo a navegar com segurança.
Por isso, um dos focos do evento é a conscientização da população sobre os riscos da navegação na internet. O Ministério Público, por meio da Promotoria de Combate a Crimes Cibernéticos, vai oferecer palestras educativas voltadas aos pais de jovens internautas sobre os cuidados a serem tomados para evitar crimes virtuais. O conteúdo envolve a navegação em redes de relacionamento (Orkut, Facebook, Myspace, Peabirus, Via6), salas de bate-papo, envio de mensagens por e-mail e comércio eletrônico.
Empreendedorismo
o evento também vai impulsionar quem quiser usar ferramentas web no seu negócio. O foco desta ação do TeiaMG (Tecnologia, Empreendedorismo e Inovação Aplicados (TeiaMG) são empresas, autarquias, órgãos públicos, instituições de ensino, sindicatos e associações.
Serviço
Batismo Digital em Minas Gerais
Dia: 7 de março de 2009
Local: Praça da Liberdade (em frente ao Palácio dos Despachos), Belo Horizonte – MG.
Horário: 9h às 17h
Mais informações: (31) 3247-2073 - (31) 4063-9603
(As informações são da Agência Minas)